sexta-feira, 3 de julho de 2015

O Outro Lado Da Moeda 9 - O singelo final do começo de tudo

Pré-requisito (obrigatório): O Outro Lado da Moeda 8
Autor: Gustavo Spina

Tudo tem um começo, meio e fim. Ao menos é o que se diz, popularmente. E é exatamente nestas próximas linhas que esta série de textos, que leva o nome deste blog, acaba. Neste capítulo final, de número nove, vamos juntos passar por tudo o que discutimos, e avaliar tudo o que, em nós, mudou com isto. Vamos identificar e definir, com propriedade, nosso novo modo de pensar, agir e enxergar o mundo, para que possamos continuar pondo em prática e aprimorando-o por todo o sempre.

Que existe um limite para nossa mente, pensamentos e capacidade de processamento e armazenamento de informações em nosso cérebro, isto é fato. Para aqueles que acreditam que a imaginação humana é completamente ilimitada, podemos contra argumentar com a ideia de que tudo o que é possível imaginarmos, e por consequência criarmos, não passam de combinações dos elementos existentes no universo, sendo assim, limitada. Para uma simplificada constatação de nosso contra argumento, basta tentarmos imaginar uma “cor” que não exista.

As cores que enxergamos são uma propriedade sensorial de nossos olhos, em conjunto com nosso cérebro, de maneira que convertemos as ondas eletromagnéticas com comprimentos de onda de aproximadamente 400 a 700 nanômetros, a região do visível, em sinais ópticos que são traduzidos em cores, do vermelho ao violeta. Portanto, não é possível imaginarmos ou criarmos uma cor que “não exista” e qualquer cor que formos capazes de imaginar, por mais diferente que seja, será apenas uma combinação das cores que já existem.

Expandindo este pensamento, podemos ver que, por mais inovadora e original que seja uma criação, ela sempre será composta, mesmo que infinitesimalmente, de elementos básicos já existentes no universo ou já criados anteriormente, ideia que pode ser ilustrada pela forma geométrica mais abstrata que pudermos criar, e que, ainda assim, será composta infinitesimalmente de pequenos traços, pontos, curvas e retas; elementos básicos já existentes da geometria.

Apesar de mostrarmos, nas linhas acima, que a capacidade de imaginação e criação, de nossos cérebros, é limitada, há aqui um interessante paradoxo. Pense bem:
Nossa imaginação é limitada a tudo o que existe, previamente, no universo, afunilada por nossas habilidades e condições sensoriais e perceptivas, e também a tudo o que já foi inventado, observado e descoberto anteriormente. Entretanto, a soma de tudo isto, que é realmente TUDO o que se existe ou o que se conheça, se revela num número infinito de elementos. Portanto, apesar de limitada, nossa mente é limitada pelo infinito, podendo ser entendida, em um dado conjunto infinito de elementos, como uma capacidade ILIMITADA.

Por outro lado, este limite é severamente encurtado pela sociedade em que vivemos, pelas crenças, sistemas, linhas de pensamento, ideologias e definições existentes, antes mesmo de nascermos, e até o fim de nossas vidas. Em todo o nosso período de gestação, já sofremos uma enorme influência externa, causada por inúmeros fatores: desde o local em que nossas mães estão vivendo naquele momento, sua situação e comportamento, até o período, clima e acontecimentos locais que possam vir a nos afetar e moldar, desde já, nossa personalidade.

Após isto, ao nascermos em um determinado local, assim como acontece quando aderimos a alguma ideologia ou crença, nós automaticamente herdamos toda sua história, cultura, costumes e seu passado histórico, nos vestindo com toda esta farda, que nos insere em um pacote de opiniões e ideias. Essa “herança” também nos é passada por nossos pais ou responsáveis, que ao nos criarem, nos preenchem com seus valores, preconceitos e formas de pensar, além de nos guiar, na maioria dos casos, pelos mesmos caminhos que eles traçaram anteriormente, incentivando-nos a ter os mesmos gostos pessoais, crenças e características que eles possuem.

De fato, todo e qualquer contato social que fazemos durante a vida, por mais ínfimo que seja, nos influencia, em maior ou menor grau, e limita, de certa forma, nosso pensamento. Se o leitor se lembra do que discutimos nos textos anteriores, certamente sabe que a sociedade em que vivemos, sobretudo regida pelo sistema monetário e capitalista, se empenha ferozmente em nos limitar, o máximo possível, a capacidade de pensar. E o resultado, todos nós conhecemos: uma população acéfala e muito bem treinada para ser funcional e apenas obedecer, servindo de óleo para a máquina do Estado, que funciona para manter tudo como está, pois sem a NOSSA desigualdade, fome e miséria, não há o bem estar, riqueza e o poder DELES.

O pensar virou uma arte, e praticá-la virou uma luta. Quantas e quantas linhas foram gastas, até aqui, apenas para nos desvencilhar das principais barreiras mentais que foram inseridas em nossa mente, sendo que muitas delas nós nem ao menos desconfiávamos que existiam? Dentro de nossas cabeças, há centenas de muralhas, e em todas elas está pintada uma bela paisagem em perspectiva, nos dando a falsa sensação de que nosso pensamento é livre, quando na verdade, está cercado de cimento. A principal intenção de todas as nossas discussões foi derrubar dezenas, centenas e, pretensiosamente, até milhares dessas grandes barreiras, para fazer com que o leitor sinta a mesma sensação incrível de liberdade, dentro de si mesmo, que o autor sente, após, pelo mesmo processo, derrubar as suas próprias barreiras mentais.

Investigar, discutir e finalmente enxergar o outro lado da moeda, em cada acontecimento de sua vida, é expandir sua liberdade mental, aumentando nosso limite para o tamanho máximo que ele pode assumir: INFINITO. Sem estas barreiras, o pensamento pode voar, e podemos fazer um aproveitamento muito maior de nossa capacidade mental. Derrubamos os primeiros muros, podendo assim enxergar mais do que um palmo à nossa frente, e fomos apresentados ao conceito do outro lado da moeda. Vimos a importância de se investigar e discutir sobre as informações que chegam até nós e evidenciamos a insignificância de nossa rotina e dos problemas que nos visitam, diariamente. Começamos a ver, então, que tudo aquilo com que nos preocupamos, mesmo que durante anos, tudo aquilo que fazemos repetidas vezes ou acreditamos, não passa de mais uma pequena palha, em um imenso palheiro.

Derrubamos mais algumas barreiras e pudemos dar alguns passos dentro de nossas cabeças. Começamos, então, a perceber que somos manipulados e que estamos realmente presos dentro de nós mesmos. Aprendemos, juntos, que estar enganado não deve ser associado ao fracasso, e sim ao sucesso de ter encontrado, mesmo que depois de muito tempo, a verdade. Vimos como a sociedade e o mundo funcionam, de fato, e o quanto podemos ser utilizados como uma massa de manobras, mesmo que subliminarmente, de forma a colaborar com o objetivo de quem está no poder.

Continuamos destruindo aquelas paredes de tijolos e conseguimos cada vez mais espaço. Discorremos sobre alguns fatos históricos que nos mostraram, na forma de grandes exemplos reais, que nossos questionamentos e contestações iniciais faziam todo o sentido, nos impulsionando a querer buscar, cada vez mais e mais, a verdade sobre tudo. Descobrimos que este mundo, composto por definições muito bem construídas, é feito de sistemas, e como os principais deles funcionam, eliminando quem não se encaixa em seus moldes, de modo a permanecer em um ciclo vicioso.

Nos veio, então, a vontade de viajar dentro de nossos pensamentos, e passamos a investigar, já com a cabeça muito mais aberta, a nós mesmos, e como aquele nosso modo de pensar, que agora começávamos a modificar, foi construído ao longo do tempo. Neste ponto, encontramos nossa maior dificuldade, nossas maiores barreiras, os muros mais altos e fortificados, feitos de preconceitos, medos, imposições e certezas absolutas, construídos em nossas cabeças por nós mesmos. Após refletirmos sobre a importância e necessidade daqueles obstáculos, da mesma forma que nós os colocamos ali, e o mantivemos por muito tempo, começamos a retirá-los, nos libertando das correntes as quais nós mesmos nos prendemos. Com um pouco de raciocínio lógico, e muita força de vontade, fomos, pouco a pouco, deixando para trás as falsas crenças e também o medo da descrença.

Ampliamos ainda mais nossa liberdade mental, e agora viajamos dentro de nossas cabeças, não enxergando mais nada com os mesmos olhos. Entendemos que, por mais que difícil que seja nos admitirmos enganados por tanto tempo, em tantas crenças e pensamentos em que nos apoiamos por tanto tempo, a mudança constante de opiniões, personalidade e modo de pensar; é o verdadeiro e correto caminho para a evolução de nossa consciência, o que, em outras palavras, significa que “a dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza”.

Com a mente quase que totalmente livre, podemos agora olhar o mundo de forma mais aberta, mais ampla, não nos preocupando mais com problemas pequenos, mas sim enxergando as grandes e verdadeiras problemáticas de nosso tempo. Não nos comportando mais como seres individuais, mas sim como uma parte importante de um todo, de tudo aquilo que existe. Não nos preocupando em manter o mundo como está, fazendo parte dos sistemas existentes, mas ressaltando que são justamente esses sistemas que devem ser extintos para que possamos, de fato, viver da melhor forma possível.

É claro que ainda há barreiras em nossas mentes, escondidas, nos prendendo sem que nós ao menos saibamos de sua existência. Entretanto, agora sabemos como encontra-las e quebrá-las. Ainda há uma infinidade de assuntos a serem discutidos, analisados e contestados, sejam eles grandes questões globais, como a existência de vida extraterrestre e a ida do homem à lua, ou problemáticas menores e regionais, como a questão da redução da maioridade penal e das cotas raciais no Brasil. Todavia, agora sabemos como enxergar o outro lado de toda e qualquer informação que possa chegar até nós. O trabalho deste blog continua, em textos separados e pontuais, sobre assuntos específicos, utilizando da mesma receita desta série de textos que, aqui, chega ao fim.

Por FIM, convido o leitor a continuar se questionando e fazendo o uso, de modo constante, da liberdade de pensamento que conquistamos juntos, com tanto trabalho. Que continue o trabalho que começamos aqui, buscando sempre a evolução de sua consciência, para que possamos construir um mundo tão mudado, para melhor, quanto nós estamos, desde que compartilhamos as primeiras palavras do nosso primeiro texto. Muito obrigado por estar comigo, do antigo começo, até este novo começo. O número oito, rotacionado de noventa graus, representa o infinito. Este texto, de número nove, uma unidade maior que o oito, representa algo que ultrapassa este infinito, por isto, apesar de ser um singelo final, este texto é o final apenas de um novo começo, do começo de TUDO: de uma nova etapa, de uma nova vida, muito mais racional e coerente, de um novo corpo, com outros olhos e outra cabeça, de uma nova personalidade, que não resiste mais à mudança, e assim segue evoluindo e formando um novo ser que, após todas estas mudanças, de nada se parece com o anterior, pois agora conhece, do começo ao fimOUTRO LADO DA MOEDA.

2 comentários:

  1. Como sempre muito bom o texto, difícil achar alguém que também se atreva a pensar "fora da caixinha" me preocupo também com a situação atual, mais ainda porque vejo tanta gente ao meu redor pensando igual a todo mundo e as vezes sem nem saber por que, sem ao menos saber explicar o porque tem aquela opinião sobre determinado assunto. Mas enfim, também me fez pensar sobre muita coisa, e ver que realmente há crenças enraizadas dentro de nós que são difíceis de mudar.
    É uma pena que o blog acabe, os textos são muito bons, parabéns pela iniciativa!

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  2. Priscila, obrigado pelos elogios. Mas, felizmente (ao menos para nós) o blog não vai acabar! Como o próprio nome do texto diz, este é apenas o singelo final do começo de tudo! Agora, depois de nove textos, que temos a mente mais aberta, somos mais questionadores, e temos a receita de como praticar isso constantemente para evoluir sempre, nós vamos analisar o mundo à nossa volta, e, depois, propor uma solução para tudo o que descobrirmos!
    Não perca as próximas séries de textos, já estão sendo feitas.

    Até breve!

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